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A Austrália de Robyn Davidson

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Poucas pessoas no Brasil conhecem Robyn Davidson. E por qual razão deveriam saber mais sobre ela? Bem, em 1977 essa australiana fez algo que parecia impossível: atravessou o deserto da Austrália com quatro camelos: foram 2.735 quilômetros percorridos na vastidão do outback australiano. A sua viagem incomum gerou um livro, lançado em 1980. Uma história que deveria ser adaptada para o cinema, certo?

Hollywood demorou para transformar a publicação em um longa-metragem e a espera valeu a pena: o filme, dirigido por John Curran, chegou aos cinemas em 2013. Estrelado por Mia Wasikowska e Adam Driver, a película narra os preparativos para a jornada e a participação decisiva da revista National Geographic, a qual patrocinou a viagem.

Mais do que nunca, o longa mostra a bravura de Robyn. Destemida, conseguiu sobreviver em um dos lugares mais inóspitos da terra em busca de autoconhecimento. Um verdadeiro nocaute contra aqueles que acreditavam que ela não conseguiria apenas por ser uma mulher.

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Como toda a jornada começa em algum lugar, Davidson partiu para Alice Springs, uma cidade situada no centro da Austrália, a qual possui uma mescla de  influências da cultura aborígene e europeia. Robyn passou dois anos por lá, onde aprendeu como sobreviver no deserto e como domar camelos.

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Um fato curioso sobre a Austrália é que o país importou camelos do Oriente Médio para ajudar no transporte de carga. Depois que os animais perderam seu “emprego”, muitos foram soltos e começaram a se reproduzir nas grandes regiões sem população e como eles não possuem inimigos naturais, no ano de 2013, por exemplo, estimava-se que a população desses animais fosse de 750 mil. E eles tornaram-se uma praga, pois estão eliminando as reservas naturais de água e até mesmo os poços das fazendas: só um dromedário consegue consumir 100 litros de água em dez minutos.  Em 1977, quando Robyn cruzou o deserto, já haviam fazendas que capturavam camelos para venda e foi em um desses lugares que ela aprendeu mais sobre esses animais e como se defender dos machos selvagens soltos no meio do deserto.

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Sobre as filmagens

As filmagens do longa aconteceram apenas em uma parte do norte da Austrália. Por serem áreas de difícil acesso para os atores e para produção, a equipe concentrou as gravações no sul do país. E também, graças a modernização dos vilarejos percorridos por Davidson em sua viagem original, as locações oficiais não poderiam refletir o mesmo ambiente vivido pela camel lady em 1977.

Um dos lugares escolhidos para as gravações foi o Flinders Ranges, uma cadeia de montanhas que se estende por 350km, localizada ao sul do país, a qual inicia ao norte da cidade de Adelaide, sendo distribuída em diversas áreas de proteção ambiental.

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Outra locação importantíssima foi Coffin Bay, uma cidade litorânea deslumbrante, cheia de atrativos turísticos, ao sul da Austrália. Ponto alto do lugar: a cor turquesa do oceano. Aqui Robyn terminou a sua jornada.

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No norte do país, as filmagens ocorreram próximas ao Uluru, um monolito gigante, localizado no parque Uluru-Kata Tjuta. O local é sagrado para os moradores originais dessas planícies. Tombado pela Unesco, o parque foi devolvido aos aborígenes em 1985, mas em 1999, voltou a tornar-se “propriedade nacional” (o governo australiano arrendou as terras).  Quando Robyn atravessou essa região, ela precisou da companhia de um membro da tribo em sinal de respeito a cultura deste povo tão importante na história da Austrália.

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O Kings Creek Station, em Alice Springs, também serviu de locações para a película. O lugar é uma fazenda destinada para aqueles que querem vivenciar o deserto australiano. Aqui as pessoas podem conhecer os camelos e dar uma voltinha pelo outback. A título de curiosidade, quando a equipe estava filmando nessa região aconteceram alguns incêndios por causa dos raios. Enquanto uma parte da produção trabalhava nas filmagens, a outra apagava os incêndios. E não foi fácil completar as filmagens. Se já deve ter sido um sofrimento em 1977, imagine agora com esses buracos imensos na camada de ozônio. A equipe sofreu com o calor, moscas abomináveis, tempestades de areia, chuva e raios assustadores.

Apesar dos contratempos, Tracks é um filme lindo. E aposto que faz justiça a essa história tão magnífica da Robyn Davidson, a qual dedica-se até hoje aos camelos e ao turismo. Robyn já serviu de guia para muitas pessoas que queriam se aventurar pelo deserto.  Ao assistir a película, você também pode se tornar um membro dessa aventura.

 

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PS: Os australianos chamam seu deserto de outback.

 

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